23 de agosto de 2012

Os Vasos

As minhas flores tão velhas
Sem ternura
E sem mistério
Jazem num vaso
Lugubremente murchas.

É só um adorno vazio
Sobre a mesa
Que poderia ser ocupado
Por qualquer outra flor:
Mais rica, mais formosa,
Com mais valor.

As pétalas vão caindo solitárias
E vão sendo levadas
Não se sabe para onde

E os caules, pobres órfãos,
Vão secando à espera
De uma mão honesta
Que lhes dê conforto.

O vaso de minhas flores 
- Silentes, ignorantes -
Vive à sombra
De um vaso ausente
Feito inteiramente de cacos. 



2 comentários:

Thiago Gns disse...

Alguém me ajuda com um comentário de reflexão sobre esse poema. Estou com dificuldade.

Delirium disse...

Thiago, tudo bem? Gratidão pela visita e comentário. Bem, como deve saber, as sensações e interpretações que um poema pode suscitar são muito pessoais e seria, no mínimo, estranho se eu, autora do texto, te desse uma "interpretação" pronta... Isso equivaleria a limitar o poema, compreende? Então, recomendo que leia-o com calma e faça anotações sobre os sentimentos que o texto desperta em você e, a partir das suas sensações, escreva o seu comentário. Tente considerar cada elemento, pensando no que podem simbolizar: o vaso inteiro que carrega flores murchas, o vaso ausente feito de cacos, as pétalas, o caule... É importante, também, ter em mente qual o seu objetivo com este comentário para que possa escrever algo que esteja de acordo com a sua necessidade.

Um abraço afetuoso,

D.

 
BlogBlogs.Com.Br