23 de agosto de 2012

Os Vasos

As minhas flores tão velhas
Sem ternura
E sem mistério
Jazem num vaso
Lugubremente murchas.

É só um adorno vazio
Sobre a mesa
Que poderia ser ocupado
Por qualquer outra flor:
Mais rica, mais formosa,
Com mais valor.

As pétalas vão caindo solitárias
E vão sendo levadas
Não se sabe para onde

E os caules, pobres órfãos,
Vão secando à espera
De uma mão honesta
Que lhes dê conforto.

O vaso de minhas flores 
- Silentes, ignorantes -
Vive à sombra
De um vaso ausente
Feito inteiramente de cacos. 



16 de agosto de 2012

Fera Ensandecida

Eu sou um bicho
De presas afiadas
E de bote certeiro

Eu sou um bicho
De garras perigosas
Que se movem no escuro
Prontas para defesa

Eu sou um bicho
Que só ataca
Quando atacam primeiro

Porque para mim
Mais vale ser fera ensandecida
do que raposa escondida
Sob pele de cordeiro.
 
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