O envelhecimento
Aqui se instala.
Repousa na sala,
Nas coisas, nos espaços,
Nos diálogos, nas estantes,
Nos livros e nos vasos.
A velhice absurda do telhado
E o ranger insistente de seus ossos
Como chocalhos de telhas
Por sobre o madeirame armado.
A cidade enrugada e vencida
Se despedaça e derrama toda
Em lama.
Há em todos os espaços
Um cansaço: da existência,
Da doença e de todos os costumes.
Ruga na testa da rua
Verruga em cada estrada, avenida,
Há um frio de encolher os dedos
E até os ossos se recolhem
Dentro de si mesmos.
A nervura da cidade
Seus pulmões inundados
Seus músculos cansados
Revelam sua derradeira
Identidade.
O café envelheceu na xícara
Enquanto esperava ser tomado.
Envelhecemos todos,
Enquanto tomávamos
No caminho, o atalho errado.
(Calliope)
19 de novembro de 2011
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3 Provocações:
Bela poesia, belas imagens, belo o seu olhar sobre o envelhecimento de tudo e todos.
É linda a maneira como você aborda essa nossa impotência diante do passar do tempo, a sua força absurda e incontornável, fazendo-nos refletir sobre o valor da impermanência, pois nada é eterno a não ser o movimento da eternidade.
O mundo se cansa de nós e nós cansamos dele.
O mundo também cansa de si mesmo.
A existência se cansa de existir.
E nisso tudo, por outro lado, há a beleza do passar do tempo, a possibilidade de se contemplar a beleza de outrora e a sua transformação constante em novas belezas, como a estética do passado encarnada no presente.
Saudações!
Venho agradecer vossa visita
ao meu "Silêncio" .Volte sempre!
E dizer que é uma honra ser um
membro de vosso Blog, pois escreve
muito bem!.
Agora venho falar de outro assunto,
Venho desejar a ti e a todos vossos
membros e aqueles que por aqui passam ,
BOAS FESTAS e um FELIZ ANO NOVO
Repleto de REALIZAÇÕES,SAÚDE e SUCESSOS!
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