19 de novembro de 2011

Rugas

O envelhecimento
Aqui se instala.
Repousa na sala,
Nas coisas, nos espaços,
Nos diálogos, nas estantes,
Nos livros e nos vasos.

A velhice absurda do telhado
E o ranger insistente de seus ossos
Como chocalhos de telhas
Por sobre o madeirame armado.

A cidade enrugada e vencida
Se despedaça e derrama toda
Em lama.

Há em todos os espaços
Um cansaço: da existência,
Da doença e de todos os costumes.

Ruga na testa da rua
Verruga em cada estrada, avenida,
Há um frio de encolher os dedos
E até os ossos se recolhem
Dentro de si mesmos.

A nervura da cidade
Seus pulmões inundados
Seus músculos cansados
Revelam sua derradeira
Identidade.

O café envelheceu na xícara
Enquanto esperava ser tomado.
Envelhecemos todos,
Enquanto tomávamos
No caminho, o atalho errado.

(Calliope)

11 de novembro de 2011

Recorte


A poesia desceu do livro,
À livraria, deu de ombros
E colou-se no muro:

ARTE COMO CRIME
CRIME COMO ARTE*

*O autor não assinou a poesia e ela brilhou sozinha num muro qualquer dessa cidade.
 
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