12 de agosto de 2011

Inventário

Quando eu for
Sentir cheiro de flor
De terra e de jardim
Podem ficar com o que restar
De mim:

A raiz do meu dente
Se estiver cariado
Meu vestido velho
De todo feriado
Minha ferida aberta
(mal já curado)
Meu olho cego,
Por muitos livros, rodado
Meu cabelo enrolado
(se estiver escovado)
Meu batom vermelho
Pintado por meus lábios
Meu EU embolorado
A unha de meus dedos quebrados
E para quem possa interessar deixo
Uma coletânea de poemas
Inacabados.

7 de agosto de 2011

Espectro

Era um tal poeta de Espectro
Papel e pena à mão.
Por mais que rabiscasse, circunspecto
Seus versos se assemelhavam a batatinhas pelo chão.

(06/08/2011)
 
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