16 de maio de 2011

O Borrão

A ruga no espelho ria da minha cara
Não, eu não era uma piada mal contada
E o sarcasmo, por mais que tentasse,
Não se mascarava, ao contrário, se mostrava.

Era a tinta que me irritava
Era o pó, a cor, o tom
Tentar estar impecável
Era sempre o maior dos pecados

E o batom sempre destoava
Do meu pretenso mau humor.
A minha cara feia não assombrava
Era antes de nada, uma piada:

Uma piada pintada de rancor.
E de repente o vermelho borrava,
Irritava e cansava meu corpo
Meu olho borrava: lágrima.

Debilidades descaradas
Não se submetiam às ordens
Que a minha expressão ordenava:
Autoritária e arrogante, desmedida.

Abria-se assim uma ferida
Não na pele, mas na alma
A pele vai assim, cheia de remendos
Cheia de pintura e máscara.

A alma, não, meu caro.
A alma é chaga aberta, exposta
Mostra a cara danada de doença
E espanta sem a menor cerimônia.
(Calliope, 16/05/2011)

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