23 de setembro de 2010

Setembro

É uma sombra que segue
E seguindo rompe a luz
Não há sol nas manhãs claras
Não há clareza no mar
Apenas ondas que hão de rolar...
E rolam sem lamentar
Lamentosa sina
De vir sempre e voltar
Voltando ao seio do mar.

E quando não se tem a quem amar?
Como a onda ama o mar que a produz
Sina esta que não se traduz
Sina minha, macular de passado
Minha história adentro.
E adentrando, estranho espelho,
Vendo-me por dentro
Vencida...

Dignidade! Dá-me um lenço
Dá-me o sol por socorro
Que de nimbos
Enfeitado todo
Meu céu - vidros quebrados - está
Vejo por dentro o que tenho
E o que tenho é nada que partilho
E partilhando, dou a poucos,
Uma desesperança tola.

Riso de criança na janela
Sorriso banguela da dor.
Já não distingo o riso do choro
Chorando e rindo, estou.
Deixai-me pela estrada
A caminhada é solitária
E o vazio está cheio de lógica
Suprema inquietação.

Vou andando, seguindo
Não sei se rolo sem tino,
Como a onda a rolar no mar
Ou se seguro uma mão
Fortuita
Que, corajosamente,
Ajuda-me a andar.
 
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