22 de junho de 2010

Enigma dos Dias

O que há escondido no fundo dos dias?
O repousar interminável da poeira sobre as coisas.
As gavetas destrancadas que encerram agonias
Já esquecidas, mas que ameaçam acordar
Vulcânicas, dilacerando vidas.
As garrafas vazias.
Os copos tão cheios de mágoas
Transbordando em tempestades desesperadas.
O cupim no teto
O desabamento previsto.
O olhar indeciso no limiar da escada.
O café que esfriou na xícara

O leite que se derramou na estrada.
O estilhaçar das janelas de vidro,
Agora somente cacos imprecisos,
Do que outrora filtrou a luz solar.
Os quadros que tombaram da parede.

Tudo é guerra!
O futuro é já o passado banguela
Caminhando de bengala
Sob um fundo de sonhos nublados.
E o que desejou ter, o que desejou ser
Caiu aos pedaços em meio à caminhada.
Há muita maldade em muitos sorrisos
Há muita maldade em muitas palavras.
Alguns caminhantes passam despercebidos
Tentando alcançar o fim da jornada.
A eternidade assombra, apavora
Quem quer andar por aí
Imaterial, carregando chagas?
Desejo de encerrar mais cedo a jornada
Fechar os olhos é contemplar o precipício
Em cada olhar há uma porta fechada.
 
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