23 de abril de 2010

Quase Nuvens

Emergem do profundo alaranjado céu
As nuvens, em finais de aguadas tardes
Avolumam-se em véu
De branco de cinza de efemeridades
Somos como nuvens
Somos quase nuvens
Em diafaneidades
Nos dependuramos no azul-cinzento do horizonte
Às vezes, cirrus, dispersas e fugazes
Noutras vezes, nimbus, carregadas de vontades
Pelo céu estamos
Vagando de passagem
Tudo passa e se transfigura
E outras nuvens vem e vão
Sobre o horizonte angustiado
A noite se derrama impetuosa
Esconde as nuvens mais amistosas
Para apoderar-se, egoísta, da imensidão
No céu noturno só há espaço
Para nimbus chorosas de introspecção.
(Calliope)

3 comentários:

Paulo Fernando disse...

"No céu noturno só há espaço
Para nimbus chorosas de introspecção."

Esse poema deflagrou sensações que eu tinha a respeito disso - do céu, das nuvens, da particularidade dos eventos atmosféricos, quando eu, muito triste, olhava a transição das nuvens no céu - e olhava também para transição de coisas em mim? Eu gostava de contemplar esse momento; digamos que cada céu é único e nunca mais irá se repetir.Isso tem um reflexo direto em nós. Se temos a consciência de que determinadas são passageiras e únicas por natureza, sabemos ( nós, os detentores desse conhecimento) que também somos assim. Parabéns pelo lindo poema!

Grigório Rocha disse...

Lindo poema! Tão simbólico, sutil e profundo. É como um ensaio em versos, sensível interface entre a natureza e a dimensão humana de nossa percepção, de como ao mesmo tempo somos e transformamos nossas sensações. É uma poesia que consegue realmente me transportar para esses momentos, quando temos vontade de chover e nossos sentimentos anseiam desaguar num colo quente e aconchegante...
...meu corpo viraria sol, minha mente viraria sol, mas só chove...

Musa disse...

Somos nuvens e estamos só de passagem...
Belíssimo poema, tocante.

um abraço,

Fau

 
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