23 de abril de 2010

Fome

A sua fome roeu o meu olhar
Roeu o meu pedaço de pão
Roeu o meu momento de riso
Roeu o meu momento de tédio
E o meu estômago doído
A sua fome roeu o meu egoísmo
Roeu o meu inconformismo
Roeu o meu anseio
E vou roendo as minhas unhas
E as pontas dos meus dedos
Esperando que essa fome não roa a vida
Que ainda espera por solução.
(Calliope)


Poema livremente inspirado em Dieta do Poeta Luiz da Silva
http://fosforo-eletrico.blogspot.com/2010/04/meio-dia-hora-do-almoco-e-eu-aqui-em.html

Quase Nuvens

Emergem do profundo alaranjado céu
As nuvens, em finais de aguadas tardes
Avolumam-se em véu
De branco de cinza de efemeridades
Somos como nuvens
Somos quase nuvens
Em diafaneidades
Nos dependuramos no azul-cinzento do horizonte
Às vezes, cirrus, dispersas e fugazes
Noutras vezes, nimbus, carregadas de vontades
Pelo céu estamos
Vagando de passagem
Tudo passa e se transfigura
E outras nuvens vem e vão
Sobre o horizonte angustiado
A noite se derrama impetuosa
Esconde as nuvens mais amistosas
Para apoderar-se, egoísta, da imensidão
No céu noturno só há espaço
Para nimbus chorosas de introspecção.
(Calliope)

16 de abril de 2010

Esboço de Preconceito

Pão ou bolo?
Cuspe na garganta
Engasgo
Engulo esse catarro
Cotidiano.
Escarro sangue na manchete
A televisão é quase um penico
A poesia, um infinito,
Corroendo alma e coração.
Poupe-me de sua malícia
Vista sua pena de pavão
E vá desfilar na passarela de chão.
Não sou de adereço 
Vou de tênis
E se te causa repulsa
Meus modos, minha poética
Abra a boca e cuspa
À moda da fonética.
(15/04/2010, Calliope)
 
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