24 de março de 2010

Sob a Chuva

I

O meu lirismo crônico
Não existe sem o barbarismo
Dos ensurdecedores trovões
Ou os clarões
De todos esses raios divinos
(Ou seriam naturais?)
Naturalmente divinais.
A chuva vai caindo, sem limites,
Sem escoamento, vai alagando tudo.
Inunda coração e mente
Dessa existência angelista
Ignoro tantas vezes
Tantas vezes sou ignorada.
Tomo os desvios que me convém
Durante a caminhada.

II

E se temo
É porque errei irremediavelmente
Ao adentrar este labirinto
Há tanta água no chão em que piso
Tanta lágrima derramada
Tanto corpo caído
Tanta alma despedaçada
E eu espero enxergar a estrada
E encontrar a trilha do caminho
Que compreendi ao sair de casa.
Ninguém nota esse desenhar de palavras
Essas coisas soltas que saltam da alma
Fazem piruetas no ar e inundam meu espaço de calma.
Quero problematizar a poética
Poetizar o meu problema
Reduzir os meus algarismos a alfabética extrema.

III

E quem quiser que entenda como loucura
O que se me mostra absoluta razão.
Não é a toa que toco em tua ferida
Quando seguro firme em tua mão.
Eu faço poesia com a pena que eu quiser
E se eu quiser cantar o vazio
O farei sem pestanejar.
Mas não pensei que escreveria um poema
À caminho de casa num ônibus abafado
Por tantas inspirações e aspirações
Que não vão se concretizar
Tudo bem, o que vale é a intenção de tentar.
(Calliope, 23/03/2010) 

2 comentários:

luiz silva da silva e silva disse...

não sei nem o que dizer!!! me passou uma sinceridade desintencional... (nada obstante...) e bem direcionada. parabéns. ficou ótimo. e tente até que se concretize seja lá o que for. (a intenção de tentar é um bom começo e um ótimo incentivo!)

Paulo Fernando disse...

Me identifiquei bastante.

 
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