22 de março de 2010

O Doce e o Azedo

Meu amor vai nú pela rua
Louco, desvairado
Sem vaidade que o cubra
Vai andando pela rua
Incompleto, cortado.
Esbanjando  metades.


Metades do que se foi
Que se passou
Transcrito foi em versos
Ou será que louco
Exibe o que não foi
Em ode singela, vaidade e restos?


Há que esconder essa nudez
Com as pétalas murchas
De rosas espectrais
Que, sombrias, o insultam
Em silêncios abissais?


Não. Ele resiste.


Que matéria plena,
Que tecido inconsútil
Esconderia as carnes etéreas
Do meu amor desnudo?


Seguindo pela rua nú
Ninguém o nota
Meu amor não se esconde
Tampouco se mostra.
Quem o viu não percebeu
Quem o sentiu não entendeu
Quando empalideceu ou quando ruborizou.
(Calliope, 20/03/2010)

Um comentário:

Grigório Rocha disse...

Teu amor é soberbo, como teu talento para escrever. É preciso olhos para perceber a beleza, pois que, nu ou vestito, teu amor será sempre visto por quem tem sensibilidade para ver e sentir.

 
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