28 de janeiro de 2010

Poema Começa Onde Poeta Termina

Esperei o dia todo por um poema que não veio.
Insinuava-se, mostrava-se qual mulher lasciva
Mas não ousou derramar-se por completo
No conforto do papel manchado.
Era composto de poucas linhas, sem rosto
Sem capa que encobrisse o seu vazio.
Não tinha corpo, nem contornos.
Cuidei que era um poema morto.
Mais um filho torto, terrível, absurdo!
Era cego, burro e surdo
No entanto, compreendi o que me dizia.
(Calliope, 28/01/10)

5 comentários:

Paulo Fernando disse...

Perfeito! Seria redundante falar mais alguma coisa(?)

Beijos!

Grigório Rocha disse...

Sem dúvida, escrever poesia pode ser um parto, que aparta o desejo da concretude, opõe o sentimento visceral à nossa incapacidade de expressão plena, de materialização do infindável em nós. Mas, derrubada a barreira, Calliope mais uma vez consegue transformar em versos essa nossa angústia tão prazerosa. Parabéns, belíssimo.

Samuel Pimenta disse...

Quando as palavras quase se tornam palpáveis, vivas, despertas!
Está belíssimo!
Adorei!

Samuel Pimenta.

fósforo elétrico disse...

como sempre seus poemas não apenas se confundem como o poeta como tambem o questionam!
parabens sempre! tô voltando a salvador depois do carnaval. oxalá oxalá quizumba serelepitumba saravá zunzina!!! bjs

Renato Machado disse...

tem dias que um poema é mesmo isso, a simples necessidade de escrever, de soltar palavras, aliviar a alma, quantas vezes escrevemos poemas que depois, nada nos dizem? e quantas vezes escrevos linhas sem nexo, e revemo-nos nelas dias depois?... gostei do sentido do poema, da linha de pensamento fluida e sentida. um bom jogo de palavras... enfim gostei muito.
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