29 de novembro de 2009

Algumas Coisas

Copo quebrado
Cacos de vidro


Alma quebrada
Cacos de mágoa

Antibiótico revestido
Estômago revirado

Copo quebrado
Leite derramado

Olhos quebrados
Cristais e lágrimas

Ofensa proferida
Honra ferida


Boca calada
Estômago revirado

Embargo na garganta
Alma dilacerada.

Peito opresso
Sangue espesso

Preto no branco

Branco no preto

Imaginação um poço

Oceano de mim


Universal

Mente


Só.

(
Calliope, 29/11/2009)

23 de novembro de 2009

Horizonte Nu (Parte II)


Era noite
Eu sozinha
Perdia-me na escuridão.
De repente,
Fez-se ruído
Ruína e destruição.
Filhos idealizados
Que jamais nascerão.
Sonhos abortados:
Decepção.
Avisto um despenhadeiro
Você me aponta o caminho
Pulo
Vislumbro a dureza
Da realidade
Cor de chumbo,
Cor de chão.
Horizonte nu
Vislumbro-te
Em sua completa vastidão.
Nas estrelas traço o meu itinerário
De contemplação
Não sigo placa, nem indicação
Ando sozinha
Pelo caminho,
Em vão.
(Calliope, 23/11/2009)

10 de novembro de 2009

Questionamentos à Luz da Lua

Lua temperamental

Misteriosa e atemporal

De noites tão caídas

Tua caveira calva

Já foi cabeleira alva

Em eras idas?

Que estranha metamorfose

Se opera em sua orbe

Para formar essa face transitória?

Quantas tardes findas

E quantas noites decaídas

Foram necessárias para traçar sua trajetória?

Seus alvos fulgores

Inspiraram amores

E também tragédias ancestrais?

O seu tempo é agora e eternamente

E mesmo sem deixar semente,

Não se acaba jamais?

(Calliope)

4 de novembro de 2009

Sobre as Desistências

Renúncia de carne e pele
Sangue expelido e repelido.

Horror cuspido na noite
De pesadelos e deslumbramentos.

Toda carne é corte
Toda câmera rola incerta

Buscando mais uma tomada
De decisões extremas

Extramente indefesas e indesejáveis
Como um filho torto

Ou amor que é morte
Cheio de finais - quase - felizes.

Renúncia de tudo que é crença.
(Calliope, 16/10/2009)

 
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