13 de julho de 2009

Beco Sem Saída

Sentimentos voláteis, volúveis,
Vórtices de sandices plenas.
Não quero a virulência da sua punição.
Já sou meu próprio juiz e algoz,
Meu carrasco mascarado
De medo ou desejo.
No fundo, tudo dá no mesmo,
Idéia ou lampejo.
Sonho ou procriação.
Não há tesouro além do arco-íris,
Nem dignidade no que é forçosamente executado
Por tolice, por obrigação,
Ou por determinação sistemática do mundo.
Hoje quero odres de veneno,
Quero um alento derradeiro,
Que me cure do meu desconsolo.
(Calliope, 13/07/2009)

6 comentários:

Kenia Cris disse...

Forte e muito provocativo! Eu também já me deparei com momentos em que quisesse odres de veneno - nunca os obtive, para meu grande azar na época, mas por muita sorte como vejo hoje.

Beijo!

john disse...

EU prefiro sua fase menos "dark" mas , está excelentemente escrito, além de refletir um desejo comum a todos nós quando estamos no fundo do poço , ou pertinho dele rsrs
como no coment acima quem nunca desejou não só um odre, mas uma ânfora cheia de veneno para afogar as tristezas.
já quanto ao texto discordo que medo e desejo Dêem ou Deem(pelo acordo ortográfico)no mesmo, no máximo são cumplices , medo origina desejo e desejo pode vir a inspirar medo.

abraços

Alisson da Hora disse...

"Hoje quero odres de veneno,
Quero um alento derradeiro,
Que me cure do meu desconsolo."

Me lembrou o meu próprio beco sem saída...

lindo, lindo!

Grigório Rocha disse...

Acredito que a dignidade está no sangue que corre em nossas veias.
Somos senhores (as) do nosso destino, mesmo que o mundo nos coloque em situações-limite.
Mas talvez seja preciso morrer por um momento, como numa súbita falta de ar, para ver que há um brilho no olhar que reflete sua face.
Não há o que se consolar, há o que se viver.
Como o John, talvez eu prefira sua face menos "dark", mas mesmo assim é sempre visceral.

Alberto Prado Verde disse...

Olá.
A tua poesia tem força e não lhe achei contradições, até porque, se as há, são fruto de interpretação sempre subjectiva, são pedras atiradas no vácuo.
Só a tempestade dá força à poesia, uma força de dentro que nos esventra no achamento do que nos quer perder, perdidos. Estamos exaustos, de tal sorte que pedimos a morte, uma qualquer morte, veneno ou mar ou fogo e quando nos soltamos em poesia, achados ainda vivos, acontece poema e uma outra racionalidade mais susbtantiva.
Delirei conhecer-te.
Beijinhos

KINHA disse...

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