31 de julho de 2009

Análise

Não me venha com o seu receituário.
Estou farta desse diagnóstico impreciso
De loucura mansa e sanidade excessiva.

Quero outro ponto de vista!
Rejeito a opinião de quem assiste,
À beira do rio, a superfície calma
E espera que nada a abale.
Rejeito a opinião de quem observa
Através da fechadura e teme abrir a porta.

Quero do rio, as profundezas frementes
E a porta, convidativa, entreaberta...
O rio a clamar: Mergulhe!
A porta a implorar: Adentra!
(Calliope, 30/07/2009)

28 de julho de 2009

Uma Gota de Veneno

Não há calma no vazio.
O que há é tédio, medo, inquietação.
Talvez haja sangue e lágrimas.
O vazio é um quadro pintado na escuridão,
Um espelho quebrado,
Um caminho partido ao meio,
Uma porta entreaberta...
Não há calma no silêncio.
O que há é inquietação,
Gritos intermitentes.
Escolhas são dardos
Que erraram o alvo
E se quebraram.
(Calliope, 28/07/2009)

20 de julho de 2009

Quem a Foi Chamar?

Hoje é dia de tormenta!
Agita-se céu e inferno.
Raios e trovões são ecos
- Retumba a tormenta e rabisca o céu -
Do passado que nunca passará.
A tormenta acorda os mortos,
Desperta cicatrizes
E feridas voltam a sangrar.
Quem a foi chamar?
O eco é um alerta:
Desvenda-te, portanto, minh'alma!
Abre os olhos e as janelas
Vê o céu daquela olhar.
De que matéria são feitas as estrelas?
Segredos e mistérios envolvem constelações?
Se não sabes, aceita o alerta!
Sede vigilante!
(Calliope, 19/07/2009)

13 de julho de 2009

Beco Sem Saída

Sentimentos voláteis, volúveis,
Vórtices de sandices plenas.
Não quero a virulência da sua punição.
Já sou meu próprio juiz e algoz,
Meu carrasco mascarado
De medo ou desejo.
No fundo, tudo dá no mesmo,
Idéia ou lampejo.
Sonho ou procriação.
Não há tesouro além do arco-íris,
Nem dignidade no que é forçosamente executado
Por tolice, por obrigação,
Ou por determinação sistemática do mundo.
Hoje quero odres de veneno,
Quero um alento derradeiro,
Que me cure do meu desconsolo.
(Calliope, 13/07/2009)

8 de julho de 2009

Cachorro Manso

Não há veneno que cure
Essa febre esporádica.
Quero uma taça de fogo!
Para purificar
Minhas emoções internas,
Para cauterizar
O meu coração à fogo e ácido.
Não há quem me vampirize!
No auge de uma crise,
Joguei todo meu sangue fora
Através de uma veia hemorrágica...
Não há mal que perdure,
Tudo cansa! Tudo passa!
(Calliope, 08/07/2009)

7 de julho de 2009

Más'caras

Às Provocações

No baile de máscaras
Todos estão nús
E ainda assim,
Escondem sua vergonha
Com sorrisos dissimulados.
Minha máscara é de tecido
Tecido celular, epiderme,
A minha máscara derrete
Com o fulgor dos meus amores
E das minhas dores.
Minha máscara se descola
Quando o suor desaba dos meus olhos.
Minha máscara cora e descora,
É toda palidez, toda rubor.
(Calliope, 07/07/2009)

6 de julho de 2009

Não Aprendi a Esconder

Faz-se segredo, faz-se mistério.
Faço poesia e me revelo:
Sou criança crescida,
Que caiu na descida
Sem aprender
A arte de esconder.
(Calliope, 06/07/2009)

5 de julho de 2009

Na Estrada

Na estrada
Ouvi um pouco de silêncio
Para compreender
O incompreensível.
Poucas placas
Insinuaram-se legíveis.
Tive muitas dúvidas,
Algumas ainda carrego comigo,
Outras, joguei fora, junto com sonhos antigos.
(Calliope, 05/07/2009)
 
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