26 de junho de 2009

De Mel e de Rosa

Paro em ti
Olhando.
Toda pele
Território.
Meus olhos
Mapeando.
Plano de fuga
Transitório.
Paro em ti
Desejando.
Todo poro
Repositório.
Todo toque
Espetáculo.
Pára em mim
Cismando.
(Calliope, 26/06/2009)

24 de junho de 2009

Caminhos

Escuridão:
Cortina dos olhos
Vendados,
Ou cegueira dos olhos,
Tragicamente, abertos.
Esquinas
De silêncio e calma.
Becos, corredores,
Labirintos
Intermináveis.
Sonhos intermitentes.
Não há sinais na escuridão.
Não há traços, riscos, fronteiras.
Linhas de horizontes ou massas verticais
De suor e dinheiro.
Volvo meus olhos para o céu:
Constelações e direções.
Não há começo, nem fim
Há apenas esboços
Do que podem ser
Caminhos.
(Calliope, 24/06/2009)

14 de junho de 2009

Horizonte Nu

Era rua.
Eu corria.
Não havia
Sinalização.
De repete
Fez-se branco
Ou fez-se chumbo.
Perdição.
Sonhos engavetados
Cheiram
A mofo
E a ilusão.
Filho planejado
Procriação.
Avisto
Uma torre alta
Você me dá as chaves.
Estrada
Sem placas.
Eu em queda:
Livre.
Rua:
Vazia, sem placas.
Sem rumo.
Filhos planejados
Destino
Idealizado.
Próxima parada:
Horizonte nu.
Não há itinerário.
(Calliope, 14/06/2009)

11 de junho de 2009

Soneto

No seu olhar é que me faço estrela,
Espelho sideral da mais perfeita constelação.
Argonauta do meu coração,
No seu olhar é que me faço estrela.

O Poeta é o maior dos magos,
Transpõe em palavras os anseios mais silentes,
Transforma em versos os desejos mais frementes.
O Poeta é o maior dos magos!

"O portal de infinitos mundos"
É uma convidativa janela aberta:
Onde se insinuam o superficial e o profundo.

Não há encanto que nos torne mais atados,
Do que agora, e sinto que estou certa,
Que os nossos destinos foram selados.
(Calliope, 11/06/2009)

5 de junho de 2009

Competir não é Viver

Nota fiscal amarela.
Tão singela.
Mão-de-obra
Prostituo-te na janela!
Restituição do vale transporte.
Migalhas de cédulas.
O meu trabalho:
Cheque em branco,
Nota fiscal amarela.
Singela?!
Mentir não é saber.
Engodo?
Doses homeopáticas
Diárias.
Veneno e soro.
Meu coração não pára
A minha fome não passa.
Competir?!
Que tolo.
Não sei se me encontro no “todo”
Ou se me perdi de todo!
Eu quero falar de amor
Ou de qualquer coisa tosca,
Mas o que faz meu coração parar
É a poesia louca
Que se escapa à boca
Do meu livre pensar.
(Calliope, 05/06/2009)

3 de junho de 2009

Relógios

16:40 (Medo)
Paraliso no caos
Idéias difusas
Incêndio de constelações ausentes
Minha estrela cadente pura
De horas tão vãs
Te curo só pela vontade
Quero ser um remédio
De combate ao medo
Respingos...
Parem os relógios
No ideário do feliz intento.
Seu sorriso, seu tormento
Riscam minha alma, minha cara.
(Calliope, 03/06/2009)
 
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