10 de dezembro de 2009

Sobriedade


Tomei uma taça
De resignação
Envelhecida
No fundo do poço
Da vida


E não fiquei embriagada.
(Calliope, 10/12/2009)

29 de novembro de 2009

Algumas Coisas

Copo quebrado
Cacos de vidro


Alma quebrada
Cacos de mágoa

Antibiótico revestido
Estômago revirado

Copo quebrado
Leite derramado

Olhos quebrados
Cristais e lágrimas

Ofensa proferida
Honra ferida


Boca calada
Estômago revirado

Embargo na garganta
Alma dilacerada.

Peito opresso
Sangue espesso

Preto no branco

Branco no preto

Imaginação um poço

Oceano de mim


Universal

Mente


Só.

(
Calliope, 29/11/2009)

23 de novembro de 2009

Horizonte Nu (Parte II)


Era noite
Eu sozinha
Perdia-me na escuridão.
De repente,
Fez-se ruído
Ruína e destruição.
Filhos idealizados
Que jamais nascerão.
Sonhos abortados:
Decepção.
Avisto um despenhadeiro
Você me aponta o caminho
Pulo
Vislumbro a dureza
Da realidade
Cor de chumbo,
Cor de chão.
Horizonte nu
Vislumbro-te
Em sua completa vastidão.
Nas estrelas traço o meu itinerário
De contemplação
Não sigo placa, nem indicação
Ando sozinha
Pelo caminho,
Em vão.
(Calliope, 23/11/2009)

10 de novembro de 2009

Questionamentos à Luz da Lua

Lua temperamental

Misteriosa e atemporal

De noites tão caídas

Tua caveira calva

Já foi cabeleira alva

Em eras idas?

Que estranha metamorfose

Se opera em sua orbe

Para formar essa face transitória?

Quantas tardes findas

E quantas noites decaídas

Foram necessárias para traçar sua trajetória?

Seus alvos fulgores

Inspiraram amores

E também tragédias ancestrais?

O seu tempo é agora e eternamente

E mesmo sem deixar semente,

Não se acaba jamais?

(Calliope)

4 de novembro de 2009

Sobre as Desistências

Renúncia de carne e pele
Sangue expelido e repelido.

Horror cuspido na noite
De pesadelos e deslumbramentos.

Toda carne é corte
Toda câmera rola incerta

Buscando mais uma tomada
De decisões extremas

Extramente indefesas e indesejáveis
Como um filho torto

Ou amor que é morte
Cheio de finais - quase - felizes.

Renúncia de tudo que é crença.
(Calliope, 16/10/2009)

20 de outubro de 2009

Misantropia

Há sempre a possibilidade de tocar,
Levemente tocar, a sua ferida subcutânea recém-aberta.
Há sempre a possibilidade de tocar,
Mediocremente tocar, um instrumento no silêncio;
Escrever um livro sobre qualquer inutilidade necessária aos fúteis;
Atuar numa peça mal escrita e dirigida por você mesmo.
Há sempre a possibilidade de usar palavras ardilosas
E destilar um pouco de veneno
Apenas para testar a sua eficácia...
Há sempre a possibilidade de se fazer
Cientista, político e poeta.
Há sempre a possibilidade de criar um manual auto-instrutivo,
Auto-destrutivo e auto-desconstrutivo, para distrair ou construir
A sua idéia disforme sobre qualquer coisa...
Qualquer coisa automática:
Como esse tal “complexo de arma carregada”,
O meu instinto de defesa versus
O seu instinto de criança indefesa.
Há sempre a possibilidade de invadir a sua fronteira
E no seu território construir o meu castelo de areia
E de um deserto particular fazer “terra de ninguém”
Apenas para exercitar a misantropia de alguém.
(Calliope, 17/08/2009)

19 de outubro de 2009

Considerações Sobre o Cúmulo das Aberrações

Algumas pessoas podem até gostar de você
Mas consideram mais interessante,
Considerar o impalpável,
E te julgar, te xingar - pelas costas -
E te punir e em seguida sorrir
Para você, como se te adorasse.
Essa é a grande piada da vida:
Rir dos outros para anular
A pessoal ferida;
Dar proporções gigantes às falhas alheias
Para minimizar a falha individual.
Mas, a vida é traiçoeira,
E uma hora descobre-se que o defeito alheio
É a reprodução em larga escala do seu próprio defeito
De fabricação caseira.
Vai deixando na esteira, suas intenções falhas,
Quem não oferta amizade verdadeira
E nutre ciúme e inveja
Se dardeja sozinho e sozinho permanece
Sempre graduando no vizinho
A própria pequenez.

(Calliope, 19/10/2009)

6 de outubro de 2009

Porventura


No futuro não haverá água

No futuro não haverá atmosfera

No futuro o sol não nascerá no céu

No futuro não haverá

...

Porventura,

Futuro

No futuro

Haverá?

(Calliope)

23 de setembro de 2009

Arte

Não tema
Nem só de tédio
Vive o jardim
Beija-flor de mim
De lis, de giz
Te faço um poema
Rabisco um arco-íris
Danço na sua pupila,
Brinco no seu globo ocular
Para oscular
A sua boca pequena
Vem brincar no meu jardim
Vem ser minha constelação.
(Calliope)

16 de setembro de 2009

8 de setembro de 2009

Destiny

Caiu em si
Ensimesmada.
A rua é de espada
Espaldar de espinhos,
Agulhas, pregos, alfinetes.

O cotidiano é um estilete...

Caiu em si
Recortada.
Maquiagem borrada
De rosa desalmada
Tudo fora do lugar

Ordem. Ordem. Ordem

Existem reis e rainhas
E ainda existe chance?
E a espera, cansada,
Na beira da estrada

Sorte? Sina? Destino?

(Calliope, 08/09/2009)

2 de setembro de 2009

Medo de Escuro

Os olhos também sentem medo
E se arregalam de assombro.
Ver com a mente é pesadelo
Tocar com os olhos é milagre
Derradeiro.
(Calliope, 02/09/2009)

27 de agosto de 2009

Despertar!

Faz arte com a parte
De mim que é de resto
Que é rosto (ou esboço)
De poço de sonhos
Fecha os olhos
Para despertar!
Acorda para os meus olhos
De criança com sono
Que só quer sonhar.
Faz arte com meu dia
De chuva, de lágrima,
Faz meu riso acordar.
Planta comigo uma semente
E vamos criar (juntos) uma árvore,
Um filho, um livro...
Eis uma duografia.
(Calliope, 27/08/2009)

20 de agosto de 2009

Para Vaidade Toda Luz é Holofote

Bateu na cara e na alma.
O maior dos venenos
É aquele inoculado no centro
De toda e qualquer vaidade.
Bate na cara e na alma e permanece.
Qual a grande diferença
Entre a honra e a vaidade?
(Calliope)

18 de agosto de 2009

Versos Esparsos

(um brinde ao passado)

Destruction
Eu quero tocar as constelações
Que os teus olhares escondem.

Arca Cerebral
Na mágica fábrica dos horrores Intelectuais,
Minha efêmera cabeça produz,
Bonequinhos monstruosos de luz
Dentro de translúcidas esferas banais.

Verdade
“Eu não signifiquei nada”
Vi essa frase rabiscada numa parede
E foi como se visse ali, em tinta verde,
A minha alma, em letras garrafais, manchada.

Afável
Eu seria toda afabilidade
Se ao meu medo tu não viesses despertar.
O que seria da minha docilidade
Sem o azedo que me é tão peculiar?

(Calliope, 2005)

11 de agosto de 2009

O Que Não é Arte é Artifício


O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. (A Flor e A Náusea, Drummond)

Não há poesia
Não há arte que liberte
O ensimesmado prisioneiro.
Há despinhadeiro
De convicções.
Não há poesia
Não há arte que liberte
Letreiros, outdoors, placas
Propagando
Algumas opiniões.
Não há poesia
Não há arte que liberte
A vaidade.
(Calliope, 12/08/2009)

6 de agosto de 2009

O Valor de Cada Moeda é Medido em Dor

Arde em minh'alma
Cada lágrima
Que detenho no olhar.

Esboço um sorriso.

Continuar é preciso.
Só não sabemos
Para onde estamos indo.

O chão é todo feito de migalhas.

Obcenamente continuo.
Os lábios não querem sorrir,
Os lábios não querem mentir.

O sorriso se parte ao meio.

Hoje é dia de agonia.
Câmara de tortura
Da vida.

Bebe água e esquece.
Aceita cada gole como
Se fosse a cura

Antes que tudo recomece.
(Calliope, 06/08/2009)


31 de julho de 2009

Análise

Não me venha com o seu receituário.
Estou farta desse diagnóstico impreciso
De loucura mansa e sanidade excessiva.

Quero outro ponto de vista!
Rejeito a opinião de quem assiste,
À beira do rio, a superfície calma
E espera que nada a abale.
Rejeito a opinião de quem observa
Através da fechadura e teme abrir a porta.

Quero do rio, as profundezas frementes
E a porta, convidativa, entreaberta...
O rio a clamar: Mergulhe!
A porta a implorar: Adentra!
(Calliope, 30/07/2009)

28 de julho de 2009

Uma Gota de Veneno

Não há calma no vazio.
O que há é tédio, medo, inquietação.
Talvez haja sangue e lágrimas.
O vazio é um quadro pintado na escuridão,
Um espelho quebrado,
Um caminho partido ao meio,
Uma porta entreaberta...
Não há calma no silêncio.
O que há é inquietação,
Gritos intermitentes.
Escolhas são dardos
Que erraram o alvo
E se quebraram.
(Calliope, 28/07/2009)

20 de julho de 2009

Quem a Foi Chamar?

Hoje é dia de tormenta!
Agita-se céu e inferno.
Raios e trovões são ecos
- Retumba a tormenta e rabisca o céu -
Do passado que nunca passará.
A tormenta acorda os mortos,
Desperta cicatrizes
E feridas voltam a sangrar.
Quem a foi chamar?
O eco é um alerta:
Desvenda-te, portanto, minh'alma!
Abre os olhos e as janelas
Vê o céu daquela olhar.
De que matéria são feitas as estrelas?
Segredos e mistérios envolvem constelações?
Se não sabes, aceita o alerta!
Sede vigilante!
(Calliope, 19/07/2009)

13 de julho de 2009

Beco Sem Saída

Sentimentos voláteis, volúveis,
Vórtices de sandices plenas.
Não quero a virulência da sua punição.
Já sou meu próprio juiz e algoz,
Meu carrasco mascarado
De medo ou desejo.
No fundo, tudo dá no mesmo,
Idéia ou lampejo.
Sonho ou procriação.
Não há tesouro além do arco-íris,
Nem dignidade no que é forçosamente executado
Por tolice, por obrigação,
Ou por determinação sistemática do mundo.
Hoje quero odres de veneno,
Quero um alento derradeiro,
Que me cure do meu desconsolo.
(Calliope, 13/07/2009)

8 de julho de 2009

Cachorro Manso

Não há veneno que cure
Essa febre esporádica.
Quero uma taça de fogo!
Para purificar
Minhas emoções internas,
Para cauterizar
O meu coração à fogo e ácido.
Não há quem me vampirize!
No auge de uma crise,
Joguei todo meu sangue fora
Através de uma veia hemorrágica...
Não há mal que perdure,
Tudo cansa! Tudo passa!
(Calliope, 08/07/2009)

7 de julho de 2009

Más'caras

Às Provocações

No baile de máscaras
Todos estão nús
E ainda assim,
Escondem sua vergonha
Com sorrisos dissimulados.
Minha máscara é de tecido
Tecido celular, epiderme,
A minha máscara derrete
Com o fulgor dos meus amores
E das minhas dores.
Minha máscara se descola
Quando o suor desaba dos meus olhos.
Minha máscara cora e descora,
É toda palidez, toda rubor.
(Calliope, 07/07/2009)

6 de julho de 2009

Não Aprendi a Esconder

Faz-se segredo, faz-se mistério.
Faço poesia e me revelo:
Sou criança crescida,
Que caiu na descida
Sem aprender
A arte de esconder.
(Calliope, 06/07/2009)

5 de julho de 2009

Na Estrada

Na estrada
Ouvi um pouco de silêncio
Para compreender
O incompreensível.
Poucas placas
Insinuaram-se legíveis.
Tive muitas dúvidas,
Algumas ainda carrego comigo,
Outras, joguei fora, junto com sonhos antigos.
(Calliope, 05/07/2009)

26 de junho de 2009

De Mel e de Rosa

Paro em ti
Olhando.
Toda pele
Território.
Meus olhos
Mapeando.
Plano de fuga
Transitório.
Paro em ti
Desejando.
Todo poro
Repositório.
Todo toque
Espetáculo.
Pára em mim
Cismando.
(Calliope, 26/06/2009)

24 de junho de 2009

Caminhos

Escuridão:
Cortina dos olhos
Vendados,
Ou cegueira dos olhos,
Tragicamente, abertos.
Esquinas
De silêncio e calma.
Becos, corredores,
Labirintos
Intermináveis.
Sonhos intermitentes.
Não há sinais na escuridão.
Não há traços, riscos, fronteiras.
Linhas de horizontes ou massas verticais
De suor e dinheiro.
Volvo meus olhos para o céu:
Constelações e direções.
Não há começo, nem fim
Há apenas esboços
Do que podem ser
Caminhos.
(Calliope, 24/06/2009)

14 de junho de 2009

Horizonte Nu

Era rua.
Eu corria.
Não havia
Sinalização.
De repete
Fez-se branco
Ou fez-se chumbo.
Perdição.
Sonhos engavetados
Cheiram
A mofo
E a ilusão.
Filho planejado
Procriação.
Avisto
Uma torre alta
Você me dá as chaves.
Estrada
Sem placas.
Eu em queda:
Livre.
Rua:
Vazia, sem placas.
Sem rumo.
Filhos planejados
Destino
Idealizado.
Próxima parada:
Horizonte nu.
Não há itinerário.
(Calliope, 14/06/2009)

11 de junho de 2009

Soneto

No seu olhar é que me faço estrela,
Espelho sideral da mais perfeita constelação.
Argonauta do meu coração,
No seu olhar é que me faço estrela.

O Poeta é o maior dos magos,
Transpõe em palavras os anseios mais silentes,
Transforma em versos os desejos mais frementes.
O Poeta é o maior dos magos!

"O portal de infinitos mundos"
É uma convidativa janela aberta:
Onde se insinuam o superficial e o profundo.

Não há encanto que nos torne mais atados,
Do que agora, e sinto que estou certa,
Que os nossos destinos foram selados.
(Calliope, 11/06/2009)

5 de junho de 2009

Competir não é Viver

Nota fiscal amarela.
Tão singela.
Mão-de-obra
Prostituo-te na janela!
Restituição do vale transporte.
Migalhas de cédulas.
O meu trabalho:
Cheque em branco,
Nota fiscal amarela.
Singela?!
Mentir não é saber.
Engodo?
Doses homeopáticas
Diárias.
Veneno e soro.
Meu coração não pára
A minha fome não passa.
Competir?!
Que tolo.
Não sei se me encontro no “todo”
Ou se me perdi de todo!
Eu quero falar de amor
Ou de qualquer coisa tosca,
Mas o que faz meu coração parar
É a poesia louca
Que se escapa à boca
Do meu livre pensar.
(Calliope, 05/06/2009)

3 de junho de 2009

Relógios

16:40 (Medo)
Paraliso no caos
Idéias difusas
Incêndio de constelações ausentes
Minha estrela cadente pura
De horas tão vãs
Te curo só pela vontade
Quero ser um remédio
De combate ao medo
Respingos...
Parem os relógios
No ideário do feliz intento.
Seu sorriso, seu tormento
Riscam minha alma, minha cara.
(Calliope, 03/06/2009)

20 de maio de 2009

É no Conforto que Reside o Conflito

Nunca sei para onde estou olhando...
Horizonte nu
Meus olhos o vestem:
Roupagem do imaginário!
A solidez: concreto e areia
Cortam o vento.
Lamentos e edificações!
Dispo o céu, lacrimoso,
- Camadas de nuvens molhadas -
Roupagem de sonhos.
Busco no seu rosto - vício -
Meu par de constelações mansas e delicadas.
(Calliope, 20/05/2009)

5 de maio de 2009

Let it Rain!

Chovem pedras e flores
Sobre homens e dores.
Cospem gotas de martírios
Sobre capitais e lírios.
Dardos de água
Afogando mágoa.
Por onde andará o meu desejo?
Escorrendo pela rua o vejo,
Ensopa os meus pés que sentem frio
E o meu olhar vazio
Anseia o brilho e a mansidão
Deste seu olhar de constelação.
(Calliope, 05/05/2009)

4 de maio de 2009

Proposta

(À um poeta bissexto)

Juntei os meus versos,
E fiz uma pena,
Para lhe presentear.
Proponho-lhe que conte
A minha história.
Poesia formal ou versos brancos?
Você me dirá!
(Calliope, 03/05/2009)

28 de abril de 2009

O Palhaço do Meu Circo

Sei que para você, sou uma grande piada,
Daquelas que se conta às gargalhadas,
Para os amigos ou para os cães da rua!
Mas isso já perdeu a graça!
Não me procure
Quando o seu público for embora,
Quando o eco dos risos
Se perderem no tempo,
Quando, finalmente,
Perceber que não é possível
Se esconder debaixo
Da maquiagem e das fantasias.
Enquanto o circo está em chamas,
Estou à salvo, brilhando, sob constelações,
Não me procure por entre as cinzas
Do incêndio que você provocou.
Mas você ainda pode colocar
O nariz vermelho
E animar a sua platéia particular
Dizendo calúnias sobre mim.
(Calliope, 28/04/2009)

20 de abril de 2009

À Um Néscio

À ele ensinei tudo que eu sei, da minha arte ao meu sexo!
Mas se ele não foi capaz de entender a minha arte,
Imaginem, meus caros, se entenderia todo o resto?
(Calliope, 20/04/2009)

16 de abril de 2009

Como Se Eu Fosse Uma Grande Piada

Ontem pintei minha cara
E banquei o palhaço de circo
Pra platéia agitada.
Mas saí ferida
E com a maquiagem borrada.
A sua indiferença
É um punhal ou uma espada?
Meu coração não diz,
Mas o rubor mancha a minha cara
E me denuncia...
Enquanto todos riem de mim
Como se eu fosse uma grande piada.
(Calliope, 16/04/2009)

9 de abril de 2009

Meu Amor,

Deixa eu sonhar com esses seus trejeitos,
E se não mais tiver jeito,
Eu me mudo! Como sempre: muda!
Não direi palavras mal articuladas.
Não te cobrarei retribuições.
Eu te amo calada,
Em oscilações.
Te vejo e desejo, ser mais do que sou,
E o tempo passa e paira
A sua imagem no meu pensamento em teorias vãs
Que não se explicam,
Não se aplicam,
Não posso contextualizar com nada recente.
Que meu coração arrebente,
Se eu não puder te beijar.
Mas eu só te amo, assim, na teoria
E eu continuo vazia,
Do seu querer,
Mas não quero nada além de você,
Mesmo sabendo que não posso te ter,
Já me conforta, te ouvir e te ver!
(Calliope, 09/04/2009)

6 de abril de 2009

Amor (irremediavelmente) Platônico

Submersa em teorias
Me afogo ouvindo o som da sua voz.
Perco os sentidos, o raciocínio,
E afundo cada vez mais.
Perco crenças, convicções,
E continuo afundando.
Queria qualquer líquido inebriante,
Que curasse essa chaga,
Mas o Amor não tem cura!
É criança que nasce órfã
E abre os olhos na solidão.
Estou afundando, irremediavelmente, quando
Observo os seus trejeitos, tão suaves...
Tento me salvar,
Mas percebo que o Amor é só uma criança
Cuja gestação não foi planejada
E quando nasce,
Não há o que se possa fazer.
Tento sufocar o que sinto
Até descobrir que
Estou sufocando a mim mesma.
(Calliope, 05/04/2009)

16 de março de 2009

O Cachorro na Chuva

Senti falta das suas personagens.
E de como tudo parecia
Teatro infantil.
Vi no espelho a marca de muitas mágoas
Todas exibidas,
Singularmente,
Na minha cara.
Quebrei o espelho.
O substitui.
Cansei de ver a sua imagem
Refletida no espelho da minha alma.
Cansei da sua imitação Hamletiana
Vulgar e barata!
Lamento - mesmo sabendo que não deveria -
Mas tenho que ser honesta:
Você é o pior ator que conheço.

Guerra Fria Particular

Sei que fazemos a nossa Guerra Fria
De um modo muito particular.
Tecemos estratégias tolas e
Disputamos as atenções um do outro.
Mas o que mais venero,
Nessa brincadeira infantil,
São os nossos conflitos indiretos.
Assim, deixo rolar os dados:
Jogando com as nossas emoções.

Um dia, quem sabe,
Jogaremos as nossas emoções fora.

13 de março de 2009

Na Padaria

(À M. Meireles)

- Boa tarde, moço! Tem Amor?
- Não, acabou, mas tem Sonho, quer? Está fresquinho.
- Não, eu queria Amor, mas já que não tem, vou ver se acho na feira!

24 de janeiro de 2009

Na Sua Tépida Posição


Por favor, queira sair dos meus sonhos,
Não entre na minha mente sem ser convidado,
Não apareça se não for chamado,
Nem nos meus sonhos.
Você pertence à classe dos que foram
Totalmente em vão.
Permaneça na sua tépida posição!
(Calliope, 22/01/2009)

O Seu Melhor


De tudo quero o seu melhor.
Quero o seu melhor beijo,
O seu melhor fogo,
A sua melhor imitação Hamletiana involuntária,
A sua melhor raiva fria.
Mas a sua melhor mentira,
Guarde-a para si.
Não quero que diga que me ama.
(Calliope, 22/01/2009)

Leia-me Quem Quiser


Não costumo usar a minha franqueza
Como instrumento de tortura.
Falando, operamos o Bem, o Mal, a Destruição.
Deito a minha franqueza no papel.
E aí, meu caro, leia-me quem quiser,
Pois já nasci versificada!
(Calliope, 21/01/2009)

Não Escreverei Mais Sonetos


Não escreverei mais sonetos
Nem odes,
Para agraciar ninguém.
O que sinto é só meu.
Cansei de ter que explicar o que sinto.
Cansei de me explicar o tempo todo.
Cansei de ouvir as mentiras dos outros e rir.
De hoje em diante, rirei das minhas próprias mentiras
Quando me aprouver.
(Calliope, 21/01/2009)

19 de janeiro de 2009

O Meu Jardim

Não sei sobre o que refletir,
Não sei se penso no que passou
Ou se penso no que levou de mim.
Mas nada disso importa,
O que importa é que passou.
E se passou, morreu.
E o meu jardim floresceu
Com o húmus que você me deu.
(Calliope, 15/01/2009)

Penso


Tudo que sou é o resultado do que penso.
O que penso hoje, talvez, não seja o mesmo que pensarei amanhã.
O pensamento mudou o mundo.
O mundo corrompeu pensamentos.
Não me importo com o que pensa
Sobre o que eu penso,
Sobre o que eu sou,
À mim só importa o momento
Em que percebo que muita coisa em mim mudou.
Até meu pensamento.
(Calliope, 15/01/2009)

11 de janeiro de 2009

Pelos Ossos Descarnados de Meu Pai


Não vou me importar
Com aquelas histórias velhas
Manchadas pelo bolor das mágoas
Mortas e não sepultadas.
Os amores que passaram,
Brilhando passaram.
As lembranças
Inesquecíveis, ficaram.
E se lágrimas trouxeram,
Estas, já secaram.
Não vou me importar
Com velhas quimeras
Que, sarcasticamente,
Sorrindo cessaram.
Juro pelos ossos
Descarnados de meu pai
Que superarei
O insuperável,
Levando minha alma,
Ao Paraíso Imponderável!
(Calliope, 18/03/06)
 
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