23 de março de 2008

Canto de Passagem

Ontem, errei ao me entregar
Demais e sem controle!
Não posso parar os Relógios
Das Emoções Absolutas...
Eles param sozinhos
Sem controle!
Hoje, errei ao me entregar
Criando regras, barreiras
Por que não posso parar os Relógio
Das Emoções Absolutas?
Porque estes Relógios
Giram sem controle!
E descontrolam meu coração.
Foi assim, que minha infância passou correndo,
Diante dos meus olhos.
Foi assim, que meu criador morreu afogado,
Que o século XIX expirou...
E assim, os amores do passado
Passaram chorando.
E assim, os amores do futuro
Passarão sorrindo.
Assim, talvez, -quem há de saber?-,
Passarei cantando
O tempo que passou.
(Calliope, 15/03/06)



Medita!

Medita sobre a flor que te enternece,
Flor de pétalas suaves, macias.
Mesmo quando a mão que a toca é áspera
Medita sobre o vinho que te embriaga,
Líquido que condena o corpo e liberta a alma.
Mesmo quando a boca que o deseja é sedenta.
Medita sobre o corpo que te apetece,
Labirinto de delícias e contornos.
Mesmo quando os olhos que o perseguem são cegos.
Medita sobre a liberdade que de ti escarnece,
Prisão enganadora das emoções.
Mesmo quando o corpo que a abarca não está preso.
(Calliope, 17/04/06)




Cyberella

Século XXI, década primeira.
O rádio não é mais nenhuma novidade,
Ainda assim, ouço riffs desconhecidos.
Luz elétrica. Luz. O que mais vão criar?
Tecnologia. Tecnofobia. Tecnopornôgrafia.
Tecnofuturopsicologizante.
O mundo mudou tanto, desde ontem,
Mas ainda continua sendo mundo.
Os humanos mudaram tanto,
Desde a noite passada,
Mas a loucura continua sendo a mesma
E os meus pulmões continuam fracos
Na minha infância, haviam contos-de-fadas.
Hoje existe a tecnomodernidade infantil.
E o mundo continua mudando.
E eu vou ficando,
Ciberneticamente,
Para trás.
Seguir ou ficar,
Eis a questão:
Se Shakespeare passou,
Eu, também, vou passar.
(Calliope, 31/03/06)

O Coaxar dos Sapos (parte II)

Além da janela o inferno é verde.
O céu é escuro, vazio,
Do mato, adiante, sussurra o frio
E as árvores frondosas fazem rede.


Além da janela, um barulho hediondo!
Escuto. Sinto medo! É sombrio,
Grilos cricrilando dentro do vazio
E com minha Dor, este barulho correspondo.


Minh’alma grita agoniada!
Os sapos, cantando essa maldita balada,
Lembram minha sombria desventura.


Mas, percebo enfim, que não são sapos a coaxar,
São demônios tristes a gritar,
Zombando da minha amargura.
(Calliope, 24/04/06)


O Coaxar dos Sapos (parte I)

De noite, ouço o coaxar dos sapos!
É de uma melodia encantadora
Mas, no escuro, a realidade é aterradora,
Quando vejo além de tantos matos.


E esse coaxar sublime,
Torna-se, quando deita o dia,
A deleitosa agonia
Da dor que a alma redime.


Que Solidão neste lugar!
Tenho medo até de respirar
E engolir dos sapos a cantaria.


Que assombro tedioso!
O matagal, de noite é pavoroso,
Quando ouço a canção da saparia.
(Calliope, 24/04/06)

Boneca de Vidro

Alma em fogo!
Carne de vidro!
Cometo erros
E não consigo me perdoar.
Por isso, queimo tanto por dentro.
Por isso, já sou cinza e pó, faz tempo.
Cometo erros e não consigo me redimir.
Por isso, me despedaço.
Por isso, já sou dor e torpor crasso.
Mas, nada disso me torna especial.
E quando meu coração calar
Seus orgânicos batimentos,
Serei fim e pó,
Solidão e chão.

(Calliope, 15/06/06)

 
BlogBlogs.Com.Br