24 de junho de 2007

Proposta

Te proponho, meu amor,
Que hoje, amanhã e até a morte,
Tentemos escapar do fogo.
Das mãos ávidas das paixões cegas,
Que tateiam no escuro, nosso rosto.
Tentemos escapar das flechas
Verbais, que línguas maldosas atiram.
Tentemos escapar do pão,
Que nos torna escravos
Do Carrasco que segura moedas sujas.
Escapemos da tortura luminosa
Das palavras verdadeiras.
Tentemos escapar à cova,
Enquanto a vida dá calor ao sangue,
Água ao corpo e ar aos pulmões.
Escapemos à morte linda,
À morte lenta e à morte plena.
Pois que morte seja apenas, morte.
Tentemos escapar do medo
Do homem, do lobisomem, do semi-homem.
Tentemos escapar à vaidade,
À falsidade, à insanidade.
Tentemos escapar do mundo louco,
Do mundo-muito e do muito pouco.
Tentemos, meu amor, transcender a carne,
A realidade, o tangível
E o inatingível;
Tentemos povoar as estrelas.
(Calliope, 29/03/06)

2 comentários:

PEQUENAS IMPRESSÕES disse...

Incrível. Poema forte.Fala coisas para minha alma...e essa cor vemelha...achei lindo!

Saudações Poéticas!

PEQUENAS IMPRESSÕES disse...

Querida,

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Saudações Poéticas!

 
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