29 de maio de 2007

Soneto (Ao meu melhor amigo)

Olhei no espelho e ele não me sorriu.
Era apenas o meu reflexo,
A mancha alva do complexo,
Do meu ser, infinitamente, sutil.

A matéria inconsútil, dos tecidos
Celulares, da minha epiderme,
Não me salvará do verme,
Quando os meus dias forem abolidos.

Que me importa ser boneca, vidro ou pó,
Sabendo que no caixão estarei só,
Com o húmus, o verme e a podridão?

E se hoje, a máscara que cobre o meu rosto,
Não é bela e nem perfeita, ao seu gosto,
Saiba que tenho um grande amigo: a Solidão!
(Calliope, 01/07/06)

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