25 de maio de 2007

Escravidão

Eu sou uma escrava!
Agora mesmo,
Solitária e entediada,
Me vejo presa
No quadrilátero da minha alcova.
Mas não é apenas o “Reduto do Tédio”
Que me aprisiona.
Não. Pior algoz
É o oxigênio. Não o vejo,
Mas quando o ar eu perco,
Os meus pulmões, açoitados,
Gritam! E as grades tilintam...
Sou escrava do oxigênio!
Só a Morte,
Assinará minha alforria.
Na tentativa tragicômica da fuga,
Entro num labirinto,
As paredes são tão iguais,
Os perigos, tão reais...
Flores cruéis e charcos
E a cada passo,
O labirinto me suga mais.
O Amor, aquela figura fluida,
-Que ao sorrir, o rosto se contorce
Num choro mudo-,
Me cumprimenta no Limiar
Do labirinto.
Mais uma vez afirmo:
Sou uma escrava!
E o Amor, como um sonho,
Uma ilusão,
Pega um espinho
E rasga o próprio pulso,
Mas num súbito impulso
De compaixão,
Afaga a ferida fresca.
De repente, vendo que eu o observava,
Com os olhos ávidos e a mente vazia,
O Amor, rindo-se, me dizia:
“Beija os meus pés, escrava!”
Haviam multidões naquele labirinto.
Criaturas tristes que se arrastavam,
Outras felizes que flutuavam,
E eu, perplexa, compunha o quadro.
Justamente nesta hora,
Um alarme ressoou no meu organismo:
Era a fome, um grande abismo
De Escravidão!
Além do quarto, do ar e do Amor,
Aquela fome interior,
Me tornava, também, escrava do Pão!
O meu próprio corpo era a prova,
Que havia em mim, escravizada,
Uma alma derrotada,
Abrindo, em vão, uma pequena cova,
Para enterrar-me em mais uma prisão!
(Calliope, 05/10/06)

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