Há sempre a possibilidade de tocar,Levemente tocar, a sua ferida subcutânea recém-aberta.
Há sempre a possibilidade de tocar,
Mediocremente tocar, um instrumento no silêncio;
Escrever um livro sobre qualquer inutilidade necessária aos fúteis;
Atuar numa peça mal escrita e dirigida por você mesmo.
Há sempre a possibilidade de usar palavras ardilosas
E destilar um pouco de veneno
Apenas para testar a sua eficácia...
Há sempre a possibilidade de se fazer
Cientista, político e poeta.
Há sempre a possibilidade de criar um manual auto-instrutivo,
Auto-destrutivo e auto-desconstrutivo, para distrair ou construir
A sua idéia disforme sobre qualquer coisa...
Qualquer coisa automática:
Como esse tal “complexo de arma carregada”,
O meu instinto de defesa versus
O seu instinto de criança indefesa.
Há sempre a possibilidade de invadir a sua fronteira
E no seu território construir o meu castelo de areia
E de um deserto particular fazer “terra de ninguém”
Apenas para exercitar a misantropia de alguém.